O nascimento do Vale da Celulose. Quando o século XXI teve início, Três Lagoas já reunia características que poucas cidades brasileiras possuíam simultaneamente: abundância de recursos hídricos, energia disponível, localização estratégica, excelente infraestrutura logística, áreas destinadas à expansão industrial e um ambiente favorável aos investimentos, construído ao longo das décadas anteriores.
Essas condições atraíram um dos maiores investimentos privados da história de Mato Grosso do Sul: a instalação da unidade da Votorantim Celulose e Papel (VCP). Sua chegada representou muito mais do que a implantação de uma nova fábrica. Ela marcou a inserção definitiva de Três Lagoas na indústria mundial de base florestal, inaugurando um ciclo econômico que transformaria profundamente o município.
Poucos anos depois, a fusão entre a VCP e a Aracruz Celulose deu origem à Fibria, ampliando significativamente a capacidade produtiva instalada na cidade e consolidando Três Lagoas como um dos principais centros brasileiros do setor. Em 2018, uma nova reorganização empresarial reforçou esse protagonismo. A incorporação da Fibria pela Suzano formou uma das maiores produtoras mundiais de celulose de mercado, consolidando o município como referência internacional na produção de celulose de eucalipto. Paralelamente, a Eldorado Brasil ampliava sua presença na cidade, fortalecendo um complexo industrial que passaria a projetar Três Lagoas para os principais mercados do mundo.
A Eldorado Brasil e a expansão da capacidade produtiva. Em 2010 foi fundada a Eldorado Brasil Celulose, que escolheu Três Lagoas para instalar sua primeira unidade industrial. Sua fábrica entrou em operação em 2012, após investimentos superiores a seis bilhões de reais, tornando-se uma das maiores plantas de produção de celulose de fibra curta do planeta. A implantação desse empreendimento provocou uma nova onda de crescimento econômico. Milhares de trabalhadores chegaram ao município durante a construção da fábrica. Empresas fornecedoras instalaram unidades na cidade. Transportadoras ampliaram suas operações. Novos hotéis foram construídos. Instituições de ensino passaram a oferecer cursos voltados às necessidades da cadeia florestal e industrial. Esse conjunto de transformações consolidou definitivamente a vocação de Três Lagoas como um dos principais polos da indústria de base florestal do mundo.
Muito além das fábricas. A transformação econômica provocada pela indústria de celulose ultrapassou os limites dos parques industriais. A cidade experimentou uma intensa expansão urbana. Novos bairros surgiram. O mercado imobiliário foi impulsionado. Empresas de engenharia, construção civil, tecnologia, transporte, logística, alimentação, hotelaria, manutenção industrial e consultoria passaram a integrar o cotidiano econômico do município. O comércio também viveu um dos períodos mais dinâmicos de sua história: redes varejistas ampliaram seus investimentos, pequenos empreendedores encontraram novas oportunidades e prestadores de serviços especializados passaram a atender uma cadeia produtiva altamente tecnológica.
Ao mesmo tempo, Três Lagoas passou a receber profissionais provenientes de praticamente todos os estados brasileiros e também especialistas vindos do exterior. Executivos japoneses, finlandeses, suecos, norte-americanos, portugueses e chilenos passaram a integrar a rotina empresarial da cidade. Pela primeira vez, a economia local deixava de ser predominantemente regional para assumir uma dimensão internacional.
As florestas plantadas e uma nova paisagem. A expansão da indústria também modificou profundamente a paisagem do leste de Mato Grosso do Sul. Áreas antes destinadas principalmente à pecuária passaram a receber extensas florestas plantadas de eucalipto, cultivadas especificamente para abastecer a indústria de celulose. Ao redor dessas plantações estruturou-se uma cadeia produtiva altamente tecnológica, baseada em pesquisa genética, mecanização, monitoramento remoto, certificações ambientais e manejo florestal sustentável. Esse modelo consolidou Mato Grosso do Sul entre os maiores produtores brasileiros de madeira cultivada e transformou Três Lagoas em referência nacional na silvicultura.
O boom imobiliário. A implantação das grandes indústrias provocou uma das maiores expansões imobiliárias da história do município. Milhares de trabalhadores chegaram simultaneamente à cidade durante as fases de construção e operação das fábricas. A procura por imóveis superou rapidamente a oferta disponível, os aluguéis registraram forte valorização, novos loteamentos foram implantados e edifícios residenciais passaram a integrar a paisagem urbana. A construção civil viveu um período de intensa atividade, impulsionada pela necessidade de novas moradias, empreendimentos comerciais e infraestrutura urbana. Ao mesmo tempo, o rápido crescimento trouxe desafios relacionados à habitação, mobilidade, serviços públicos e planejamento urbano.
Uma economia conectada ao mundo. A produção de celulose de Três Lagoas passou a abastecer mercados da Ásia, Europa e América do Norte, inserindo o município entre os principais exportadores brasileiros do setor. Essa integração elevou os padrões de competitividade das empresas locais. Fornecedores passaram a atender rigorosos requisitos internacionais relacionados à qualidade, segurança do trabalho, responsabilidade socioambiental e governança corporativa. A economia municipal deixou de dialogar apenas com os mercados nacionais e passou a integrar cadeias globais de produção e exportação.
O comércio cresce junto com a indústria. O fortalecimento da indústria impulsionou toda a economia local. Supermercados, restaurantes, hotéis, clínicas médicas, escolas, transportadoras, empresas de informática, escritórios de engenharia, lojas de materiais elétricos, prestadores de serviços especializados e inúmeros pequenos negócios ampliaram suas atividades para atender às novas demandas geradas pelo crescimento industrial. Esse processo demonstrou uma característica marcante da economia três-lagoense: o desenvolvimento da indústria fortaleceu simultaneamente o comércio, os serviços e toda a cadeia empresarial.
A ACITL acompanha uma nova economia. O novo cenário econômico exigiu também uma profunda transformação institucional. Ao longo desse período, a ACITL ampliou significativamente sua atuação, diversificou seus serviços e passou a representar um ambiente empresarial muito mais complexo do que aquele existente nas décadas anteriores. Além do comércio tradicional, passaram a integrar sua base de associados empresas industriais, prestadores de serviços especializados, cooperativas, instituições financeiras, empresas de tecnologia e fornecedores das grandes cadeias produtivas. Mais do que representar empresários, a entidade passou a conectar oportunidades, estimular negócios, promover qualificação e fortalecer o ambiente empreendedor. Acompanhando a internacionalização da economia local, a ACITL consolidou-se como uma das principais instituições de apoio ao desenvolvimento empresarial de Três Lagoas.
Vanderlei R. Duarte (2005–2009). Empresário da Foto Cine Prudente, Vanderlei R. Duarte assumiu a presidência da ACITL no momento em que Três Lagoas iniciava o maior ciclo de investimentos privados de sua história. Sua gestão acompanhou a implantação dos primeiros grandes empreendimentos da indústria de celulose, período marcado pelo intenso crescimento econômico, pela expansão do comércio e pelo aumento da demanda por serviços empresariais. A Associação fortaleceu sua representatividade junto ao setor produtivo e ampliou sua participação nas discussões sobre o desenvolvimento do município.
Joaquim R. Barbosa (2009–2011). Na sequência, Joaquim R. Barbosa conduziu a entidade em um período de consolidação dos investimentos industriais. Com a cidade vivendo forte expansão econômica, sua gestão manteve a atuação institucional da ACITL voltada ao fortalecimento do ambiente de negócios, ao apoio aos empresários locais e ao acompanhamento das transformações provocadas pela rápida industrialização de Três Lagoas.
Vanderlei R. Duarte (2011–2013). Ao retornar à presidência, Vanderlei R. Duarte deu continuidade às ações voltadas ao fortalecimento institucional da Associação. Durante esse período, a economia local mantinha elevado ritmo de crescimento impulsionado pela consolidação da cadeia florestal e industrial, exigindo da ACITL uma atuação cada vez mais próxima dos empresários e das instituições responsáveis pelo desenvolvimento econômico regional.
Atílio Carlos D'Agosto (2013–2017). Empresário do setor metalúrgico, Atílio Carlos D'Agosto conduziu uma gestão marcada pela aproximação da ACITL com o segmento industrial. Sob sua liderança, a entidade ampliou significativamente sua representatividade junto às grandes indústrias instaladas no município, especialmente aquelas ligadas ao setor de base florestal, fortalecendo o diálogo entre a iniciativa privada e os principais empreendimentos econômicos da região. Sua administração também foi marcada pela firme atuação em defesa dos empresários diante dos impactos provocados pela paralisação das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III). Participou de reuniões, audiências e articulações institucionais buscando alternativas para reduzir os prejuízos enfrentados pelas empresas locais e preservar o desenvolvimento econômico de Três Lagoas.
Gláucia Puzziello Jaruche (2017–2019). Empresária do setor de manutenção de veículos leves e pesados, Gláucia Puzziello Jaruche tornou-se a segunda mulher a presidir a ACITL. Sua gestão destacou-se pelo fortalecimento das relações institucionais da entidade com o Poder Executivo Municipal, o Poder Legislativo e diversas organizações da sociedade civil. Sob sua liderança, a Associação ampliou sua atuação como porta-voz do empresariado, desenvolvendo campanhas institucionais e promovendo ações voltadas ao fortalecimento do comércio, da indústria e da prestação de serviços, aproximando ainda mais a ACITL da comunidade três-lagoense.
Fernando Lucas de Souza (2019–2023). Empresário da construção civil, Fernando Lucas de Souza conduziu uma gestão marcada pela reorganização administrativa e pela modernização da governança institucional. Seu mandato coincidiu com um dos momentos mais desafiadores da história recente: a pandemia da COVID-19. Nesse período, a ACITL desempenhou papel fundamental na defesa dos interesses do setor produtivo, atuando junto ao Município de Três Lagoas e ao Governo do Estado de Mato Grosso do Sul em busca de medidas que permitissem a continuidade das atividades econômicas, a preservação dos empregos e o apoio às empresas diante das dificuldades impostas pela crise sanitária. Ao mesmo tempo, avançou na modernização dos processos internos e fortaleceu a estrutura administrativa da entidade, preparando-a para uma nova etapa de crescimento.
Diego Barbosa Gomes (2023–2027). Em 2023, Diego Barbosa Gomes, empresário do setor contábil, assumiu a presidência da ACITL com a proposta de ampliar ainda mais a atuação institucional da entidade. Nos primeiros anos de sua gestão, priorizou a aproximação da Associação com diferentes segmentos econômicos, fortaleceu o diálogo com instituições públicas e privadas e intensificou a defesa de um ambiente de negócios mais competitivo, pautado pela redução da burocracia, pela segurança jurídica e pelo desenvolvimento sustentável. Sua administração também marca o início das comemorações do centenário da ACITL.
A transformação digital da ACITL. Assim como a economia de Três Lagoas evoluiu rapidamente, a ACITL também iniciou um amplo processo de modernização tecnológica. Os antigos processos baseados em documentos impressos deram lugar a sistemas informatizados. As consultas de crédito passaram a ser realizadas em ambiente digital, a certificação digital integrou o portfólio de serviços da entidade e as campanhas comerciais passaram a utilizar plataformas eletrônicas para ampliar seu alcance. As redes sociais, os aplicativos e os novos canais de comunicação aproximaram ainda mais a Associação dos empresários, tornando os serviços mais acessíveis e eficientes. Essa evolução demonstrou que uma instituição centenária poderia preservar sua tradição sem deixar de acompanhar as transformações tecnológicas do mercado.
Um ambiente de negócios mais moderno. A década de 2010 também foi marcada por importantes mudanças na legislação brasileira voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo. Entre elas destaca-se a Lei da Liberdade Econômica, sancionada em 2019, que buscou reduzir a burocracia e simplificar procedimentos para abertura, funcionamento e expansão das empresas. Em Três Lagoas, a ACITL participou das discussões sobre sua regulamentação, defendendo medidas que proporcionassem maior segurança jurídica, agilidade administrativa e melhoria do ambiente de negócios. Essa atuação reafirmou uma característica presente desde a fundação da entidade: representar os interesses dos empresários e contribuir para o desenvolvimento econômico do município.
A pandemia e a capacidade de adaptação. Poucos acontecimentos tiveram impacto tão profundo sobre a atividade econômica quanto a pandemia da COVID-19. Em 2020, empresas precisaram interromper atividades, adaptar processos de atendimento, reorganizar equipes e enfrentar um período de grande instabilidade econômica e social. Nesse contexto, a ACITL desempenhou papel fundamental no apoio ao empresariado. A entidade acompanhou a publicação dos decretos governamentais, orientou empresários sobre protocolos sanitários, divulgou informações técnicas, promoveu diálogo com o poder público e defendeu soluções que buscassem conciliar a preservação da saúde pública com a continuidade das atividades econômicas. Mais uma vez, a Associação demonstrou capacidade de adaptação diante de um dos maiores desafios enfrentados pelo setor produtivo em sua história recente.
A defesa de novos investimentos. Mesmo durante um período de grandes transformações econômicas, a ACITL manteve sua atuação voltada ao futuro. Entre os temas acompanhados pela entidade destacou-se a defesa da retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III). Desde a paralisação do empreendimento, a Associação participou de reuniões, debates e articulações institucionais, defendendo a conclusão do projeto como estratégia para ampliar a geração de empregos, fortalecer a cadeia produtiva regional e diversificar a economia local. Essa postura reafirma uma tradição construída ao longo de sua história: apoiar iniciativas estruturantes capazes de impulsionar o desenvolvimento de Três Lagoas.
Uma associação para uma nova economia. Ao longo desse período, a ACITL consolidou uma profunda transformação em seu modelo de atuação. Sem abandonar sua função histórica de representação empresarial, a entidade passou a oferecer um conjunto cada vez mais amplo de soluções voltadas ao fortalecimento dos negócios. Entre os principais serviços destacam-se: inteligência de mercado; consultas de crédito; certificação digital; cursos e capacitações; eventos empresariais; networking; banco de currículos; gestão de estágios; campanhas de incentivo ao comércio; locação de espaços; benefícios corporativos; soluções financeiras. Essa diversificação permitiu que a Associação acompanhasse as mudanças do mercado e permanecesse relevante para empresas de diferentes portes e segmentos.
Desenvolvimento e novos desafios. O intenso crescimento econômico trouxe importantes conquistas, mas também apresentou desafios característicos de uma cidade em rápida expansão. O aumento da população elevou a demanda por habitação, mobilidade, saúde, educação e infraestrutura urbana. A valorização imobiliária, a necessidade de formação de mão de obra qualificada e a ampliação dos serviços públicos passaram a integrar a agenda permanente do município. Também ganharam espaço os debates relacionados à sustentabilidade, ao uso do solo e à expansão das florestas plantadas. Enquanto pesquisadores e diferentes setores da sociedade discutiam os impactos ambientais e sociais desse novo modelo de desenvolvimento, as empresas destacavam os investimentos em manejo florestal certificado, preservação ambiental e inovação tecnológica. Essas discussões evidenciam que desenvolvimento sustentável exige planejamento contínuo, equilíbrio entre crescimento econômico e preservação ambiental, além do permanente diálogo entre poder público, setor produtivo e sociedade. Ao longo desse processo, a ACITL participou ativamente das principais discussões relacionadas ao futuro econômico do município, sempre defendendo um ambiente de negócios competitivo, sustentável e capaz de gerar oportunidades para toda a comunidade.
O legado deste ciclo. Entre 2005 e 2025, Três Lagoas viveu a mais profunda transformação econômica de sua história. A consolidação da cadeia produtiva da celulose redefiniu o perfil do município, ampliou sua inserção nos mercados internacionais e impulsionou uma nova dinâmica de desenvolvimento baseada na inovação, na competitividade e na integração entre diferentes setores da economia. Nesse cenário, a ACITL fortaleceu sua atuação institucional, modernizou seus serviços e consolidou-se como parceira estratégica do empresariado, acompanhando as mudanças econômicas e contribuindo para a construção de um ambiente cada vez mais favorável aos negócios. Ao final desse ciclo, a Associação chegava ao seu centenário preparada para representar uma economia conectada ao mundo, sem perder sua essência construída ao longo de cem anos de compromisso com o desenvolvimento de Três Lagoas.

