O nascimento do polo industrial. Ao iniciar a década de 1990, Três Lagoas reunia condições raras entre os municípios brasileiros. A cidade possuía localização estratégica entre as regiões Centro-Oeste e Sudeste, energia abundante produzida pela Usina de Jupiá, disponibilidade de água, ligação ferroviária, rodovias integradas aos principais mercados consumidores e extensas áreas aptas à implantação de novos empreendimentos.
Esses fatores despertaram o interesse de empresas nacionais e internacionais que buscavam alternativas às regiões industriais tradicionais do país. Enquanto muitos municípios disputavam investimentos, Três Lagoas passou a preparar o ambiente necessário para recebê-los. Era o início de uma nova etapa de sua história econômica.
Um projeto de desenvolvimento. A industrialização não aconteceu por acaso. Durante a década de 1990, o município estruturou políticas voltadas à atração de investimentos, ampliando a infraestrutura urbana, oferecendo incentivos fiscais e fortalecendo o Distrito Industrial de Jupiá. Muito mais do que reservar áreas para fábricas, o Distrito Industrial simbolizava uma nova estratégia de desenvolvimento. Pela primeira vez, Três Lagoas deixava de esperar que empresas escolhessem a cidade espontaneamente e passava a construir um ambiente competitivo para atrair grandes empreendimentos. Essa mudança de visão alterou definitivamente o rumo da economia local.
A chegada das primeiras grandes indústrias. Os resultados começaram a surgir ainda na década de 1990. Empresas dos setores metalúrgico, alimentício, cerâmico, mineral, energético e de transformação passaram a instalar unidades produtivas em Três Lagoas. Entre os empreendimentos que marcaram esse período destacam-se a Metalfrio, consolidando a cidade no setor de refrigeração comercial; empresas dos segmentos de alimentos, cerâmica, curtumes e materiais de construção; a expansão das indústrias cerâmicas e olarias; o crescimento da produção de bebidas e águas minerais; e a implantação da Usina Termelétrica Luiz Carlos Prestes, da Petrobras. Cada nova indústria representava empregos, renda, tecnologia e oportunidades para centenas de empresas locais. Mais do que produzir bens, essas empresas modificaram o perfil econômico do município.
Uma economia que se internacionalizava. A chegada dessas indústrias inseriu Três Lagoas em cadeias produtivas nacionais e internacionais. Empresas locais passaram a fornecer produtos e serviços para grandes grupos industriais. Novos padrões de gestão, qualidade, logística e competitividade passaram a fazer parte da rotina empresarial. A cidade iniciou seu processo de internacionalização econômica. Essa transformação preparou Três Lagoas para receber, poucos anos depois, alguns dos maiores investimentos mundiais do setor de papel e celulose. Antes mesmo da instalação das grandes fábricas, investidores internacionais já acompanhavam atentamente o potencial econômico da região.
O crescimento do PIB. A industrialização trouxe reflexos imediatos para a economia municipal. A geração de empregos, a ampliação da arrecadação e o fortalecimento da atividade empresarial impulsionaram o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), criando as bases para a extraordinária expansão registrada nos anos seguintes. No início da década de 2000, Três Lagoas já apresentava indicadores econômicos muito superiores aos observados nas décadas anteriores. Esse crescimento demonstrava que a industrialização havia deixado de ser uma expectativa para tornar-se realidade.
Um novo perfil empresarial. O empresário três-lagoense também mudou. Durante décadas, o comércio havia atendido principalmente consumidores locais e produtores rurais; com a industrialização, surgiram novas demandas. As empresas passaram a fornecer produtos e serviços para grandes indústrias, atender contratos corporativos e adaptar-se a padrões mais elevados de gestão. Supermercados, hotéis, restaurantes, transportadoras, construtoras, empresas de informática, papelarias, oficinas, escritórios de engenharia, prestadores de serviços especializados e o mercado imobiliário viveram um período de intensa expansão. O desenvolvimento industrial fortaleceu toda a economia.
Sebrae, Senac e a qualificação empresarial. O novo cenário exigia empresários e trabalhadores mais preparados. Nesse contexto, intensificaram-se as parcerias entre a ACITL, o Sebrae e o Senac. Cursos, consultorias, treinamentos e programas de qualificação passaram a apoiar empresas locais na modernização da gestão, no desenvolvimento do empreendedorismo e na formação da mão de obra necessária ao novo perfil econômico da cidade. A qualificação tornou-se um dos pilares do desenvolvimento empresarial de Três Lagoas.
A ACITL como agente do desenvolvimento. Acompanhando essa transformação, a ACITL ampliou significativamente sua atuação institucional. Além da representação empresarial, fortaleceu serviços aos associados, promoveu capacitações, ampliou o relacionamento com órgãos públicos e participou das discussões sobre desenvolvimento econômico. A entidade consolidou-se como elo entre empresários, poder público e investidores, contribuindo para fortalecer o ambiente de negócios e preparar o setor produtivo para uma economia cada vez mais competitiva. Sua atuação tornou-se essencial para que o comércio e os serviços acompanhassem o ritmo acelerado da industrialização.
Leonildo Francisco de Andrade (1999–2001). No final da década de 1990, Leonildo Francisco de Andrade, proprietário da Casa dos Parafusos, assumiu a presidência da ACITL em um momento de intensas transformações econômicas. Enquanto Três Lagoas consolidava sua política de atração de investimentos, a Associação Comercial ampliava sua atuação junto ao empresariado local, fortalecendo o diálogo com o poder público e incentivando a qualificação das empresas para um mercado cada vez mais competitivo. Sua gestão acompanhou o início da nova fase industrial do município, marcada pela chegada de empreendimentos que começavam a modificar o perfil econômico da cidade.
Rubens Miranda Melo (2001–2003). Na sequência, Rubens Miranda Melo, da Viação São Luiz, deu continuidade ao fortalecimento institucional da ACITL. Sua administração coincidiu com um período em que Três Lagoas se consolidava como destino estratégico para novos investimentos industriais. O crescimento econômico exigia empresários mais preparados, maior integração entre as instituições locais e fortalecimento das parcerias voltadas ao desenvolvimento empresarial. Nesse contexto, a ACITL ampliou sua participação nas discussões relacionadas ao ambiente de negócios, contribuindo para aproximar empresários, poder público e entidades de apoio ao empreendedorismo.
Maria Luzia Lomba de Souza (2003–2005). Em 2003, a empresária Maria Luzia Lomba de Souza, proprietária da Arco-Íris Confecções, assumiu a presidência da ACITL, tornando-se a primeira mulher a presidir a Associação Comercial e Industrial de Três Lagoas. Sua eleição representou um marco na história da entidade, refletindo a crescente participação feminina na liderança empresarial do município. Durante sua gestão, Três Lagoas vivia os momentos finais da preparação para receber alguns dos maiores investimentos industriais de sua história. A ACITL intensificou o apoio aos empresários locais, fortaleceu ações de qualificação e consolidou parcerias institucionais voltadas ao desenvolvimento econômico. Ao término de seu mandato, a cidade encontrava-se pronta para iniciar o ciclo que a transformaria em referência mundial na produção de celulose.
O legado deste ciclo. Entre 1990 e 2005, Três Lagoas consolidou os alicerces de sua transformação industrial. A cidade deixou de ser reconhecida apenas por sua tradição comercial e agropecuária para integrar uma economia cada vez mais diversificada, dinâmica e conectada aos mercados nacionais e internacionais. Nesse processo, a ACITL fortaleceu seu papel como instituição promotora do desenvolvimento empresarial. Ao incentivar a qualificação, ampliar os serviços aos associados e contribuir para a construção de um ambiente favorável aos investimentos, a entidade ajudou a preparar empresários e empresas para uma nova realidade econômica. Quando os grandes grupos internacionais do setor de papel e celulose anunciaram seus investimentos, Três Lagoas já possuía infraestrutura, experiência industrial e um setor empresarial organizado para receber um dos maiores ciclos de crescimento de sua história.

